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ESTUDO CINESIOLÓGICO DO AGACHAMENTO

  • 10 de out. de 2015
  • 5 min de leitura

O exercício de agachamento é um exercício dinâmico, com sua fase concêntrica principal – em vermelho - (figura 11).

Os movimentos das articulações são flexões e extensões realizadas no plano sagital, através dos eixos látero-laterais das articulações do quadril e do joelho (HALL 2012) (figura 12).

Articulações são estruturas especializadas em possibilitar o movimento entre duas ou mais peças ósseas (DURWARD, BAER, ROWE, 2001). Dependendo das suas características estruturais elas podem permitir vários tipos de movimentos. Tanto a articulação coxo-femural, quanto a articulação do joelho são consideradas diartroses (amplamente móveis), porém enquanto do quadril é triaxial (apresenta três eixos de movimento) o joelho é monoaxial (apenas um eixo). Porém para a manutenção da posição do exercício ainda são necessárias outras articulações de manutenção postural, além daquelas normalmente envolvidas na manutenção da postura em si, como as da coluna vertebral, nesse exercício em particular pode-se observar uma grande ação isométrica da cintura escapular (ombro), e do conjunto articular da coluna vertebral em todas as regiões para a manutenção das curvaturas naturais (figura 13).

As principais superfícies articulares são os côndilos femorais e o platô tibial, pode-se observar que na flexão ocorre não apenas o rolamento (responsável pela flexão/extensão), mas também um leve deslizamento [if supportFields]><span style='mso-element:field-begin'></span><span style='mso-spacerun:yes'> </span>CITATION HOU12 \l 1046 <span style='mso-element:field-separator'></span><![endif](HOUGLUM e BERTOTI 2012)[if supportFields]><span style='mso-element:field-end'></span><![endif], fazendo dessa posição menos estável do que na extensão completa. O desalinhamento entre o fêmur e a tíbia pode ser potencialmente lesivo, fazendo com que a técnica do agachamento seja primordial para a integridade articular (figura 14).

No quadril temos como músculos primários o glúteo máximo, que tem sua inserção proximal na crista ilíaca, na linha glútea posterior e na borda lateral do sacrum. E sua inserção distal na banda iliotibial, apresentando uma ação monoarticular. O adutor magno com sua inserção proximal no ramo do ísquio e margem inferior do túbero isquiático, e sua inserção distal na linha áspera femoral e no epicôndilo medial do fêmur. Tem-se também os ísquio-tibiais (semitendinoso, semimembranásceo e o bíceps femoral cabeça longa) todos com inserções proximais comum na tuberosidade isquial. Já as suas inserções distais o semimebranoso se fixa na tíbia e na superfície medial posterior do côndilo fibular; o semitendinoso na tíbia e no côndilo tibial superfície medial. Enquanto o bíceps femoral tem sua inserção distal na cabeça da fíbula no aspecto lateral. Como músculos acessórios temos as fibras posteriores do glúteo médio, o adutor magno nas suas fibras verticais (STANDRING 2008) (figura 15).

No joelho tem-se a fase principal na extensão. Os músculos primário na extensão do joelho é o grupamento do quadríceps que consta de: (1) reto femoral; (2) vasto lateral; (3) vasto medial e (4) vasto intermédio (figura 16a). Cada músculo está discriminado no quadro 16b.

Como cada músculo apresenta um braço de força distinto, sua participação no movimento também será diferente, principalmente no que diz respeito às angulações e amplitude (WEINECK 1989) (figura 17).

Pode-se então determinar que no caso do agachamento, observa-se que o joelho em sua flexão apresenta uma fragilidade articular, causada pela frouxidão ligamentar e pela tendência de se realizar um deslizamento ântero-posterior por causa da incongruência articular entre os côndilos femorais e os tibiais. Necessitando de uma complexa cadeia muscular e tendínea para mantê-lo estabilizado, representado pelos ísquiotibiais e seus tendões na inserção distal. Fazendo do exercício de agachamento um exercício que precisa de um extenso processo de aprendizado para a sua execução. Isso pode ser determinado através de um quadro classificatório final, que leva em consideração todas as observações anteriores para se classificar o exercício (TAVARES, 1997 não publicado). Esse método se caracteriza por utilizar quatro aspectos básicos do exercício realizado: (1) o posicionamento; (2) o aspecto articular; e (3) o equipamento utilizado.

  1. Posicionamento – diz respeito ao posicionamento corporal do executante.

  2. Simples (1): de pé com apoio bilateral dos pés em superfície estável, em decúbito ventral ou dorsal sobre superfície estável, ou sentado com apoio torácico;

  3. Complexo (2): qualquer uma das posições anteriormente citadas, mas em superfície instável (bola Suíça), e/ou em posições intermediárias (inclinadas) entre as posições apresentadas, mesmo com apoio, ou deitado em decúbito lateral, e sentado sem apoio torácico.

  4. Aspecto articular – diz respeito ao número de articulações envolvidas dinamicamente1 no exercício;

  5. Simples (1): uma articulação participando dinamicamente no movimento;

  6. Complexa (1): mais de uma articulação participando dinamicamente no movimento

  7. Equipamento utilizado (implemento) – diz respeito a forma pela qual a carga é aplicada ao sistema musculoesquelético, bem como pela trajetória percorrida pelo mesmo:

  8. Simples (1): sistema baseado em máquina com trajetória fixa, com apenas um grau de liberdade;

  9. Intermediário (2): sistema com equipamento tipo Hammer ® com trajetória livre entre dois eixos;

  10. Complexo (3): pesos e halteres livres com trajetória livre entre três eixos;

Ao final desse processo se pode realizar a classificação do exercício em: (1) básico; (2) intermediário; (3) avançado; e (4) pró (figura 18).

Então finalizando pode-se criar uma ficha analítica do exercício de extensão do cotovelo com o ombro estendido, tronco inclinado com apoio. Sintetizando todas as informações obtidas em dois quadros distintos: (1) ficha de análise qualitativa do exercício (fig. 19a); e (2) quadro classificatório do exercício (19b).

Pode-se então concluir que o exercício de agachamento, dada a complexidade neuromuscular envolvida em sua execução, bem como pela postura assumida em suas fases, e ainda pelo implemento utilizado, ele é considerado um exercício a ser utilizado para nível expert de treinamento, devendo, dessa maneira apresentar um treinamento progressivo para sua execução.

Bibliografia

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